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Yoga é educação física?

MaisYoga·publicado originalmente no MaisYoga em 2019
Yoga é educação física?

80% dos tipos de yoga contemporâneo não usam o corpo.

O yoga é tão diverso que provavelmente não conseguiria gerenciar a si próprio como profissão. Mas certamente que a Educação Física também é que não seria, visto que mais de 80% dos tipos de yoga contemporâneo não usam o corpo; fazem basicamente só meditação, mentalização, vocalização e cânticos como é o caso do dhyana yoga, raja yoga, nada yoga, mantra yoga, sahaja yoga, kundaliní yoga, japa yoga, bhakti yoga, karma yoga, jñana yoga, kriyá yoga, chela yoga, tantra yoga, siddha yoga e uma centena de outros.

É isso mesmo que você leu, uma centena, não um punhado ou dezena uma c-e-n-t-e-n-a. Os que utilizam o corpo muitas vezes dedicam apenas um terço da prática as posições corporais, sendo o restante a pratica de técnicas de contemplação, visualização, gestos com as mãos, respiratórios, técnicas de limpeza corporal, atitudes interiores, auto-superação, treinamento constante de preceitos éticos, cânticos (devocionais ou não), relaxamento, meditação e mais um monte de outras técnicas que não envolvem diretamente o corpo, pelo menos não como a educação física classificaria de: "a sua área".

No meio de tudo isso tem sim um punhado de tipos de yoga que mal enchem os dedos de uma única mão que trabalham exclusivamente com o corpo. Mesmo assim, com propostas diferentes de apenas se exercitar para ficar mais saudável, bonito ou alongado.

É um processo que muitas vezes utiliza técnicas que não seriam aceitas na educação física, mas servem como ferramentas para o auto-aperfeiçoamento e que com certeza vetariam a sua utilização, como é o caso das retroflexões, das invertidas e da posição de pernas cruzadas (o padmásana).

E isso é só o começo! Tem ainda o paradigma do aquecimento, da repetição, do tempo de permanência e da respiração pelo nariz... No yoga, em mais de 90% das escolas e métodos de trabalho, evitamos o aquecimento corporal, pedimos para que não se repita exaustivamente uma mesma posição, e as permanencias muitas vezes, alcançam um tempo que pode chegar a horas numa mesma posição e que se respire exclusivamente pelo nariz. E aí elas seriam cortadas, adaptadas e adulteradas?

Eu compreendo perfeitamente o posicionamento dos professores de educação física com relação a nossa profissão e eles têm esse posicionamento por culpa exclusivamente nossa, fomos nós que desvirtuamos a proposta do yoga com utilitarismos, pois um professor faz yogaterapia, outro faz yoga para a coluna, outro faz ginástica yoga, outro faz yoga com sexo, outro faz para aumentar o alongamento. Quem é que faz yoga pelo yoga? Yoga por filosofia que era a proposta dos shastras.

Também entendo que muitos ultrapassaram as fronteiras das academias, concorrendo com aulas de alongamento, em clubes e em diversos setores que pertenciam exclusivamente a eles.

Quando alguém diz numa revista que yoga é bom para emagrecer, está se colocando no mesmo patamar de outro que fala que o yoga é bom para o sexo. Quem estaria certo? Ou a pergunta seria: quem estaria menos errado? Se nós mesmos não sabemos definir o que é yoga, como você acha que a opinião publica vê o que fazemos?

Comecei a dar práticas em 1983 numa hiato muito estranho, pois já tinha passado o grande boom do modismo iniciado pelos Beatles, para período que ninguém queria fazer yoga, quem era da minha época lembra como tínhamos que ficar convencendo as pessoas de que yoga era algo legal. No inicio da década de 1980 as pessoas queriam era fazer Cooper, depois na década de 1990 queriam aeróbica e ninguém queria fazer yoga, pois como eles diziam: "yoga é coisa parada". Fazer yoga não dava status nem dinheiro, dávamos aulas de coração, dizíamos que era a nossa missão.

Nesse momento tudo mudou a partir do ano 2000 uma legião de artistas e pessoas famosas começaram a adotar yoga como proposta de vida, o que é muito bom, afinal acredito no que faço e sei que é muito bom para as pessoas, mas teremos que conviver com os oportunistas de plantão que estão dando aulas de yoga porque dá dinheiro e está na moda. São pessoas sem amor ao yoga, basta que ele não dê mais lucro para migrarem para uma outra atividade mais rentável.

Espero que ao lerem esse texto algumas pessoas se sensibilizem e unam forças para um yoga de melhor qualidade, mais informação para o público e mais exemplo por parte dos professores de yoga com mais união e respeito.

Escritor, palestrante e professor de Yoga.

Ministra cursos de ásana, mudrá, vishrama e meditação.

Palestra na sua empresa (o professor André fez na década de 80 o primeiro projeto de Yoga em empresas no Brasil, na PETROBRAS)

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